Uma queda banal, um esforço para erguer uma sacola de compras ou até mesmo uma tosse forte podem ser suficientes para causar uma fratura vertebral em quem tem osteoporose. É uma das lesões mais comuns — e mais subestimadas — da coluna, podendo causar dor intensa e limitar bastante a qualidade de vida. Neste artigo, explicamos o que é a fratura vertebral, como é diagnosticada e quando a vertebroplastia, um procedimento minimamente invasivo, pode ser indicada como tratamento.
O que é uma fratura vertebral?
A fratura vertebral (ou fratura por compressão) ocorre quando o corpo de uma vértebra perde altura e colapsa, geralmente em forma de cunha, mais comumente na transição entre a coluna torácica e a lombar. Pode ter origem traumática — acidentes e quedas de altura, em pessoas com ossos saudáveis — ou, com muito mais frequência, decorrer da fragilidade óssea da osteoporose, quando o osso se rompe mesmo diante de esforços do dia a dia. Uma parcela relevante dessas fraturas passa sem diagnóstico, pois nem sempre causam dor perceptível de imediato — mas cada fratura vertebral aumenta o risco de novas fraturas.
Causas, fatores de risco e sintomas
A osteoporose é a principal causa, especialmente após os 60 anos e no pós-menopausa. Outros fatores de risco incluem uso prolongado de corticoides, histórico familiar de fraturas por fragilidade, baixo peso e sedentarismo, tabagismo, e doenças que afetam o metabolismo ósseo. Fraturas por doenças oncológicas (mieloma múltiplo, metástases) também ocorrem e exigem avaliação específica.
O sintoma mais característico é dor lombar ou torácica de início relativamente súbito, que piora ao ficar em pé, sentar ou mudar de posição e alivia um pouco com repouso. Também podem surgir perda de altura, aumento da cifose ("corcunda") e, em fraturas antigas, dor crônica associada à postura. Formigamento, fraqueza nas pernas ou alteração no controle da bexiga/intestino são sinais raros que exigem avaliação imediata.
Diagnóstico e tratamento inicial
O diagnóstico combina exame clínico com radiografia (identifica a perda de altura vertebral), ressonância magnética (confirma se a fratura é recente e descarta outras causas) e densitometria óssea (avalia o grau de osteoporose). Na maioria dos casos, a fratura melhora com tratamento conservador em 6 a 12 semanas: analgésicos, colete ortopédico temporário, fisioterapia e tratamento da osteoporose de base.
Vertebroplastia: o que é e quando é indicada
Quando a dor é intensa, incapacitante e não responde bem ao tratamento conservador, a vertebroplastia percutânea pode ser considerada. É um procedimento minimamente invasivo: guiado por imagem, o médico insere uma agulha fina até o corpo vertebral fraturado e injeta cimento ósseo (PMMA), que se solidifica em minutos e estabiliza a fratura por dentro. Costuma ser feito sob sedação e anestesia local, dura 30 a 60 minutos, e o paciente recebe alta no mesmo dia ou no seguinte, com alívio da dor perceptível em horas a poucos dias. A cifoplastia é uma variação em que um balão é insuflado antes do cimento, podendo ajudar a restaurar parte da altura vertebral.
O procedimento costuma ser considerado quando há dor intensa e incapacitante sem resposta satisfatória ao tratamento conservador nas primeiras semanas — com melhores resultados quanto mais precoce a intervenção —, em pacientes com maior risco de complicações pela imobilidade prolongada (como idosos), ou em fraturas por doenças malignas com dor refratária.
O que dizem as evidências
Estudos de 2009, comparando o procedimento a uma intervenção simulada, não encontraram benefício significativo, mas foram depois criticados por incluírem fraturas mais antigas e por limitações metodológicas. O ensaio VAPOUR (The Lancet), focado em dor aguda e intensa com fratura de até 6 semanas, encontrou benefício significativo, especialmente quando feito nas primeiras 3 semanas. Diretrizes de 2025 reforçam que a decisão deve ser individualizada e compartilhada entre médico e paciente.
Riscos e recuperação
O procedimento é considerado seguro, com baixa taxa de complicações: extravasamento de cimento (mais comum, geralmente assintomático), infecção local (rara), sangramento e, em debate na literatura, possível fratura em vértebra vizinha. A recuperação costuma ser rápida, com retorno a atividades leves em poucos dias — mas é essencial manter o tratamento da osteoporose de base, já que o procedimento trata a fratura, não a causa.
Conclusão
A fratura vertebral é comum em pessoas com osteoporose. Na maioria das vezes, o tratamento conservador é suficiente, mas quando a dor é intensa e incapacitante, a vertebroplastia pode ser uma opção segura e eficaz, sobretudo quando feita precocemente em pacientes bem selecionados.
Este artigo tem finalidade informativa e não substitui uma avaliação médica individualizada.
